No Brasil, a figura do boticário, o atual farmacêutico, era uma das mais respeitadas no início do século XIX. A população mantinha o hábito de pedir orientação a respeito da saúde nas famosas "boticas", ou seja, farmácias. No entanto, atualmente, centenas de estabelecimentos desrespeitam a lei e funcionam sem esse profissional.
No Ceará, somente no ano passado, em uma operação realizada pelo Conselho Regional de Farmácia do Ceará (CRF-CE) em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério Público, nos 184 municípios do Estado foram fechados 96 estabelecimentos funcionando ilegalmente ou irregularmente. Em 2010, foram 196 flagrantes. Durante a inspeção, os técnicos encontraram farmácias vendendo medicamentos vencidos e proibidos e até inseticidas.
Segundo a gerente administrativa do Conselho Regional de farmácia do Estado, Nirvana Monteiro, a ilegalidade ainda é um grande desafio.
Interior
Ela explica que os estabelecimentos considerados ilegais são aqueles que não estão cadastrados no CRF-CE e na Anvisa. Já os irregulares funcionam sem farmacêuticos e vendem produtos e medicamentos proibidos. A pior situação, segundo ela, é encontrada nos municípios do Interior do Estado.
"Durante a inspeção, encontramos farmácias vendendo bebidas alcoólicas, remédios vencidos e até proibidos. Além disso, a ausência de cadastro junto ao conselho e, por consequência, a falta do profissional farmacêutico nos estabelecimentos pode gerar complicações sérias para a saúde do cidadão", ressalta.
O chefe do serviço de fiscalização do CRF-CE , Artur Cavalcante Filho, ressalta que os maiores flagrantes ocorrem no Interior do Estado pelo fato de o comerciante imaginar que não há um fiscalização ostensiva. Contudo, conforme ele, há alguns anos, essa realidade mudou, pois uma equipe viaja durante o ano inteiro para todos os municípios do Ceará com o objetivo de reverter o quadro da ilegalidade.
Carência
O aposentado Francisco José Paiva, 49 anos, morador da cidade de Trairi, a 125 Km de Fortaleza, sofre com a falta de farmacêuticos. Portador de uma doença cardíaca há 20 anos, ele frequenta farmácias constantemente, porém, não se sente seguro em tirar dúvidas com os balconistas, já que, segundo ele, não há profissionais suficientes em sua cidade. Assim, a maioria dos estabelecimentos não oferecem o serviço do profissional.
"Já tive alterações no meu estado de saúde, pois misturei medicamentos que não eram para tomar juntos, mas, não tive nenhuma orientação na farmácia e sempre fico na dúvida", conta.
Fiscalização"Durante a inspeção, encontramos farmácias vendendo bebidas alcoólicas, remédios vencidos e até proibidos"
Nirvana Monteiro
Diretora administrativa do CRF-CE
Profissional é pouco valorizadoNa manhã de ontem, dia do farmacêutico, quem passou pela Praça do Ferreira, no Centro, teve a oportunidade de aferir a pressão arterial, fazer exame de glicemia, adquirir preservativos, plantas medicinais e fazer perguntas diversas sobre medicamentos para um grupo de profissionais farmacêuticos.
No entanto, apesar de comemorarem com orgulho o dia deles, ainda há muitos problemas a serem enfrentados. Além do desafio da ilegalidade, há a falta de valorização enfrentada por estes profissionais.
De acordo com o chefe do serviço de fiscalização do CRF-CE, Artur Cavalcante Filho, a falta de farmacêuticos atuando na Capital e principalmente no Interior se deve aos baixos salários e péssimas condições de trabalho.
"O farmacêutico consciente tem noção da responsabilidade da sua profissão e não vai se submeter a trabalhar em um estabelecimento irregular ganhando menos do que o piso salarial, que atualmente é de R$ 2.200 por 44 horas", afirma.
KARLA CAMILAREPÓRTER
Fonte DN
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