sábado, 1 de outubro de 2011

Envio e recebimento de cargas são suspensos


Manifestantes impediram acesso dos caminhões de entrega dos Correios ao setor de triagem. O envio e o recebimento de cargas no Centro Operacional de Fortaleza estão suspensos por tempo indeterminado. Correios sugerem conciliação junto ao TST


Manifestante deita para impedir passagem de caminhão (VIVIANE GONÇALVES)

Uma barreira humana foi formada para impedir que os caminhões de cargas dos Correios chegassem ao setor de triagem, no Centro Operacional de Fortaleza, na Oliveira Paiva. O envio e o recebimento de cargas no Centro Operacional de Fortaleza estão suspensos por tempo indeterminado. O resultado será atraso na entrega de correspondências em todo o Estado. Os Correios reconhecem o comprometimento no fluxo postal e sugerem conciliação junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST)
O Sindicado dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos e Similares do Estado do Ceará (Sintect-CE) afirmou que a ação vai prosseguir até que uma nova negociação seja estabelecida. Os funcionários dos Correios estão em greve desde 14 de setembro. Eles pedem reajuste salarial e reclamam dos dias descontados durante a paralisação. “Resolvemos radicalizar”, reconhece a presidente do Sintect, Lourdinha Félix.
Durante todo o dia, trabalhadores dos Correios estiveram acampados em frente aos portões de entrada para evitar o acesso dos veículos. Cinco caminhões que chegavam do aeroporto Pinto Martins com cargas nacionais e internacionais foram impedidos de entrar.
Por volta das 10 horas, quando esses veículos tentaram burlar a manifestação, dois trabalhadores deitaram no chão para barrar o tráfego. “Por aqui, ninguém entra ou sai com veículo de carga. A entrega de correspondências está cancelada”, anunciavam os sindicalistas.
Durante a manhã de ontem, O POVO visitou agências dos Correios e verificou que cartas simples, registradas e Sedex continuavam sendo postadas normalmente por usuários. Apenas o serviço de Sedex 10 tinha sido cancelado. Entretanto, funcionários alertam para a falta de garantia da data de entrega.
A administradora Geracina Abreu, 39, aguardava há dias por uma encomenda. Desde segunda-feira, ela foi ao Centro Operacional dos Correios em busca da localização do pacote. “Se não achar logo vou ter um grande prejuízo”. A demora era pela falta de funcionários que pudessem encontrar a carga.
De acordo com a assessoria de comunicação regional dos Correios, até ocorrer a manifestação de ontem, a maioria das entregas estava em dia. Foram entregues cerca de 86% das 10,08 milhões de correspondências previstas para o Estado desde o início da greve (14) até a última quinta-feira (29).
Com o bloqueio de veículos no Centro Operacional, a tendencia é que aumente o percentual de atraso na entrega de correspondências. O Correio afirma que algumas medidas estão sendo tomadas para reduzir os impactos à população. “Além da mão-de-obra temporária e dos profissionais que não aderiram à paralisação, a ECT está realocando empregados da área administrativa para a operacional e realizando mutirões nos fins de semana”, disse em nota.
O quê

ENTENDA A NOTÍCIA
Carteiros estão em greve desde o dia 14 de setembro. O impasse nas negociações e os descontos dos dias de greve na folha de pagamento provocaram reação do Sintect-CE. O acesso dos veículos de cargas ao setor de triagem foi bloqueado.

Entenda a greve

Proposta Os Correios oficializaram a proposta de aumento linear de R$ 80 a todos empregados, reajuste salarial e dos benefícios em 6,87% e abono imediato de R$ 500.
Aumento O Sintect-CE não aceitou a negociação e continua com o pedido de reajuste salarial, com aumento de R$ 400, e convocação imediata dos aprovados em concurso público.
Carga horária Além disso, redução da carga horária de atendente das agências para 6 horas; pagamento das perdas de 1994/2010 (equivalente a 24%); reposição da inflação nos últimos 12 meses; melhores condições de trabalho; vale-alimentação de R$ 30 por dia; e cesta básica de R$ 300.
Audiência - Em contrapartida, os Correios pedem por uma audiência de conciliação, com a mediação judicial junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Viviane Gonçalves 
vivi@opovo.com.br

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